O PERIGO DA ATUAÇÃO EDITORIAL DA NOVA DIREITA NO CAMPO CULTURAL BRASILEIRO: ANÁLISE DO CEDET

  • Autor
  • Eula Dantas Taveira Cabral
  • Co-autores
  • Danielle Fernandes Rodrigues Furlani
  • Resumo
  •  

    No Brasil, o mercado editorial da “nova direita” ganhou bastante destaque nos últimos anos. Intelectuais alinhados à “nova direita” conquistaram espaço crescente na esfera pública nacional, destacando-se não apenas na imprensa tradicional e nas redes sociais, mas também no setor editorial (Puglia, 2018). Editoras e editores encontraram no Brasil um terreno fértil para difundir produtos culturais alinhados às direitas, fomentando debates políticos contemporâneos (Pereira e Saferstein, 2024), onde suas estratégias se alinham ao campo político e ganham espaço no mercado cultural brasileiro. Diante desta realidade, o objetivo do trabalho é analisar o papel do Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico (Cedet) na consolidação de um ecossistema editorial da nova direita no Brasil. Para isso, mobiliza os aportes teóricos da Economia Política da Comunicação e da Cultura, partindo do projeto de pesquisa projeto “Cultura, Comunicação e Informação na era digital” (Cabral, 2021) e das contribuições de César Bolaño (2000; 2010; 2016), em diálogo com a teoria dos campos culturais de Pierre Bourdieu (2006). Examina-se como o Cedet atua com infraestrutura técnica e comercial, oferecendo soluções editoriais integradas, e como agente de legitimação simbólica, viabilizando a produção, circulação e consagração de obras alinhadas aos valores e discursos da nova direita, disputando posições no campo cultural brasileiro. Dentre as análises que vêm sendo feitas, observa-se que o Cedet exemplifica a subsunção da produção cultural às lógicas do capital monopolista, ao organizar-se por meio de segmentação de públicos, estratégias de massificação e controle de diferentes etapas do processo editorial — da edição à impressão, distribuição e comercialização. Essa dinâmica fica evidente em sua rede diversificada, que combina selos próprios, parcerias com editoras, sistemas estruturados de revenda, livrarias virtuais e acordos com influenciadores. A presença de seus títulos em múltiplos canais de venda e o investimento em produtos como cadernos, planners e quebra-cabeças reforçam um modelo de negócios orientado à expansão e à reprodução ampliada do capital. As estratégias do Cedet envolvem disputas por reconhecimento, consagração e legitimidade cultural, publicando autores centrais para a nova direita brasileira, como Olavo de Carvalho, Ana Campagnolo e Eduardo Bolsonaro, e traduzindo nomes consagrados do liberalismo e do conservadorismo, como Adam Smith, Ludwig von Mises, Roger Scruton e Edmund Burke. Ao mesmo tempo, gerencia livrarias virtuais associadas a influenciadores e figuras públicas desse espectro, construindo um circuito que não apenas amplia a visibilidade dessas ideias, mas também reforça seu próprio capital simbólico ao se vincular a nomes já reconhecidos. Assim, o estudo do Cedet oferece importantes pistas sobre como setores das direitas brasileiras têm articulado estratégias para ocupar o campo cultural, evidenciando a necessidade de compreender o mercado editorial não apenas como um setor econômico, mas como uma arena em que projetos políticos, concepções de mundo e práticas sociais disputam narrativas, memórias e os sentidos que moldam a vida cultural brasileira.

     

  • Palavras-chave
  • CEDET; Economia Política da Cultura; mercado editorial; mercado cultural; nova direita
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
Voltar Download
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
  • GT 5 - Economia Política do Jornalismo
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"

Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)

Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

Ruy Sardinha Lopes (USP)

Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)